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Conferência Uma analise diacrónica das narrativas da imprensa Colonial: o caso da Guiné Portuguesa

Data: 22 de Novembro de 2017
Horário: 15:00
Local: FCSH - edifício ID (Sala multiusos 2 - Piso 4)
Cartaz



Professor Doutor Leopoldo Amado
Conferência Uma analise diacrónica das narrativas da imprensa Colonial: o caso da Guiné Portuguesa.

Apesar de ser pouco estudada e, por isso mesmo, pouco conhecida, a imprensa colonial jogou aqui e acolá,  um papel de primeira importância como veículo de transposição biunívoca do imaginário social dominante, designadamente, na relação entre o establishement e os povos colonizados e na reprodução ideológica dos fundamentos da dominação colonial. Com efeito, reforça-se ainda a aludida importância se se tiver em consideração que a imprensa colonial – longe de pretender ser uma espécie de caixa de pandora da imprensa metropolitana –,  procurava erigir-se por um dinamismo emergente dos trópicos, tanto é que já não é a partir da metrópole, mas dos trópicos,  que se procura afinar o diapasão da vida colonial retratada, eivadas estas, curiosamente,  de interações e intersecções advindas dos espaços de confluência e de confronto entre mundividências em presença, ou seja, entre colonos dominadores e colonizados dominados.

Com efeito, e apesar da intensa actividade da imprensa colonial contrastar flagrantemente com a quase situação de marginalidade a que foi votada o território de então (nunca a Guiné foi projectada como uma colónia de povoamento, à semelhança de Angola ou Moçambique), a Guiné colonial foi fértil em actividade ligada à imprensa, assinalando-se-lhe, sintomaticamente, a existência de jornais  e revistas de qualidade insuspeita, com uma relativa constância editorial e consequente  longevidade que, curiosamente – não obstante terem-se pautado pelo exotismo exacerbado, próprio, portanto da ideografia colonial então vigente, alinharam-se também, editorialmente falando,  com os ditames ideológicos que conformavam a colonização –, mas transpondo largamente os limites da cegueira superioridade racial para vislumbrar outras dinâmicas do encontro/confronto civilizacionais, mormente, as dinâmicas culturais subjacentes às sociedades colonizadas, procurando assim, aqui e acolá, romper com uma narrativa que, amiúde, contrariava a própria panaceia  do bom selvagem  e da missão civilizadora colonial.

São estes poisos que consubstanciam, basicamente, o objecto de análise diacrónica se que procurará desenvolver na presente comunicação, na qual igualmente se procura, pela via do estabelecimento paralelismos comparativos com outras situações coloniais, a visão subjacente do africano, a par de uma inteligibilidade explicativa relativamente a inequívoca opção, por parte por parte da intelligentsia de então, por uma imprensa a que, pelas razões aduzidas e, na falta de melhore qualificativo, poderíamos justamente designar como a de uma portugalidade dos trópicos.  

 

 

Promotor: GIEIPC-IP - Grupo Internacional de Estudos da Imprensa Periódica Colonial do Império Português

Organizadores: CEC - Centro de Estudos Comparatistas e o CHAM - Centro de Humanidades






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