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CILM - Descrição
 
O Projecto CILM pretende analisar o modo como ansiedades sobre segurança têm influenciado representações literárias da cidade na Europa e nos E.U.A. nas últimas duas décadas. Apesar das políticas e práticas de segurança apresentarem uma importância cada vez maior nas agendas políticas, o seu impacto no nosso panorama cultural e literário ainda não foi analisado sistematicamente. Desde que a “guerra ao terror” foi anunciada, um número crescente de romancistas tem centrado o seu trabalho na representação de paisagens urbanas que revelam hesitações generalizadas relativamente a noções de segurança: enquanto, por um lado, muitos destes romances demonstram um crescente mal-estar em relação à insegurança social e privada, por outro lado, também revelam uma consciência cada vez maior sobre a construção social e política de discursos e práticas de segurança. Os ataques terroristas a Nova Iorque e a Washington DC em 2001, os ataques a Madrid em 2004 e os ataques bombistas de Londres em 2005 exacerbaram medos e fantasias sobre o desastre, que na imaginação popular são sempre associados ao espaço urbano (Žižek2002). A ficção sobre o 9/11 nos E.U.A., os romances sobre o 11M em Espanha e as narrativas acerca do 7/7 no Reino Unido integram actualmente um género literário em crescimento, através do qual autores de diferentes países têm procurado celebrar, reconstruir ou “preservar” as suas cidades.
 
Apesar de a temática da representação da cidade na literatura e no cinema continuar a ser alvo de uma crescente reflexão crítica, ainda não se realizou um estudo sistemático focando o modo como as recentes (in)seguranças são representadas na ficção urbana produzida de ambos os lados do Atlântico. Há, não obstante, dois livros publicados sobre a representação literária do 9/11 (Kensington2008; Versluys2009); vários artigos confirmam a importância de uma perspectiva transatlântica (eg. Araújo2007; Araújo2009b; Varvogli2007). Debates acerca da segurança têm recebido uma atenção cada vez maior não apenas no campo das ciências sociais, mas também em áreas como a filosofia, com intelectuais como Derrida e Habermas (Borradori2003). Apesar de conceitos centrais empregues pelas ciências sociais no estudo da segurança e vigilância urbanas, tais como o conceito de “panopticismo” (Foucault1975), “sociedade de controlo” (Deleuze1992), “estado de excepção” (Agamben2005) e “ máquina de visão” (Virilio1994), derivarem sobretudo de obras ficcionais de autores como Kafka, Orwell, Bradbury e Burroughs, os estudos literários têm permanecido afastados dos debates acerca das repercussões da segurança na sociedade contemporânea.
 
Através do levantamento, sistematização e análise selectiva de romances produzidos nas últimas duas décadas, espera-se que os estudos literários e culturais possam reafirmar a sua contribuição nestes debates. Iremos proceder à análise dos romances urbanos atrás mencionados, não isoladamente, mas como parte de um “corpus” alargado de narrativas urbanas produzidas dos dois lados do Atlântico desde o início dos anos noventa. Com o final da Guerra Fria e a emergência de conflitos internacionais intensamente mediatizados, tal como a Guerra do Golfo em 1991, os escritores foram progressivamente tomando consciência do poder da imagem na representação e construção de novas estruturas geopolíticas. De 1990 a 2010, encontra-se assim um “corpus” de romances urbanos que revela estar cada vez mais consciente não apenas de uma politização da imagem, mas também da relação complexa entre ficção e a segurança. O presente projecto analisará cuidadosamente o impacto dos média na produção literária. Proceder-se-á ao estudo do modo como determinadas imagens, mensagens e metáforas circulam entre os média (especialmente os média visuais) e surgem retrabalhadas por escritores contemporâneos na Europa e nos E.U.A.
 
O projecto irá tomar como ponto de partida estudos realizados pela Investigadora Principal nos últimos cinco anos, incluindo colaborações internacionais e trabalho produzido com outros membros da equipa. Partindo dos resultados obtidos durante essa primeira fase da pesquisa, a presente equipa de investigação poderá expandir significantemente o “corpus” literário analisado, reforçando-se a atenção dedicada ao contexto europeu. O objectivo consiste em estabelecer um estudo comparativo do modo como determinadas (in)seguranças têm condicionado a representação da cidade em ambos os lados do Atlântico. Neste três anos proceder-se-á à análise de romances urbanos seleccionados de três países diferentes Europeus: Portugal, Espanha e Reino Unido. Procurar-se-á, depois, alargar o número de países no âmbito de uma candidatura a financiamento europeu (FP7). A análise transatlântica permitirá perceber se os romancistas europeus estão a reciclar imagens norte-americanas, se estão a criar retratos específicos de (in)seguranças relacionadas com as suas realidades nacionais e europeias.






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