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Entrada seta Investigação seta Grupo LOCUS seta ORIENTALISMO PORTUGUÊS

ORIENTALISMO PORTUGUÊS

PORTUGUESE ORIENTALISM
Coordenação: Everton V. Machado

 

Resumo: 

Portugal tem uma longa tradição de relatos de viagens que remonta ao período dos Descobrimentos. Nos séculos XVI e XVII, foram relatos portugueses que divulgaram na Europa as primeiras imagens renascentistas da China e do Japão, apresentados como lugares de perfeição que invertiam os desmandos europeus. Desde então, a representação do chamado Extremo Oriente tem sido um tópico recorrente não apenas nos relatos de viagens, mas também na pintura, na música e em outras artes. Depois desses primeiros contactos marcados por um deslumbramento perante a ordem e a riqueza desses países longínquos, com especial destaque para a China e o Japão, assiste-se, a partir do final do século XVIII, a um “Renascimento Oriental”, que se intensifica ao longo do século XIX e no início do século XX, acompanhando a expansão dos impérios europeus na Ásia. Esta relação imperial moldou o Orientalismo enquanto parte da civilização e da cultura material europeia. Edward Said, na sua obra seminal Orientalism (1978), analisa a experiência artística dos impérios britânico, francês e norte-americano e expõe um conjunto de categorias operativas que podem ser extensíveis ao caso português.

O ciclo colonial português foi formalmente encerrado em 1999 com a transferência da administração de Macau para a República Popular da China. O fim desse ciclo torna agora possível estudar o Orientalismo Português de uma perspectiva pós-colonial. Macau representa um importante tópico nesta pesquisa, tendo em conta a sua relevância geográfica como interface entre mundos (China, Japão, Índia e Europa), mas também em virtude do significado simbólico de “Macau” enquanto porta/porto, conforme tem vindo a ser explorado em diferentes eventos artísticos. Tendo em consideração esta nova abordagem ao Orientalismo Português, este projecto trata os seguintes tópicos:

  • Orientalismo como estética europeia (séculos XIX e XX) 
  • Orientalismo e império
  • Estudos Inter-Artes: imagens do Extremo Oriente
  • Travel Writing
  • Writing Macau
  • Literatura de língua portuguesa da Índia
  • O Oriente e o Ocidente na imprensa do ultramar
  • A Ásia portuguesa nas artes visuais

Membros:

Colaboradores

  • Michela Graziani (Università degli Studi di Firenze, Itália)
  • Gustavo Infante (Bristol University, UK)
  • Rui Lopo (Centro de Filosofia – FLUL)
  • Pedro Pereira (The Ohio State University, EUA)
  • Rogério Miguel Puga (FCSH – UNL)
  • Matteo Rei (Università degli Studi di Torino, Itália)
  • Filipa Lowndes Vicente (Instituto de Ciências Sociais)

Consultores:

  • David Brookshaw (Bristol University, UK)
  • Paulo Franchetti (Universidade Estadual de Campinas, Brasil)
  • Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto)

No âmbito desta equipa de investigação desenvolve-se actualmente o projecto de I&D - FCT Textos e Contextos do Orientalismo Português – Congressos Internacionais de Orientalistas (1873-1973) e desenvolveu-se  o projecto Relance da Alma Japoneza - Edição Genética e Crítica (Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas)

 

Projecto Textos e Contextos do Orientalismo Português – Congressos Internacionais de Orientalistas (1873-1973).

Referência: PTDC/CPC-CMP/0398/2014

Palavras-chave:
Orientalismo Português, Comparatismo, Congressos Orientalistas, Interdisciplinaridade

Data de início do projecto: 01.07.2016

Duração do projecto em meses: 30

Resumo:

Realizaram-se 29 encontros (1873-1973) em 24 cidades europeias e 5 extraeuropeias, reunindo investigadores de vários continentes, debatendo os estudos orientais praticados na Europa e nos EUA. A fragmentação temática que os programas foram evidenciando reflete a evolução do conceito de Oriente. A escassa literatura crítica sobre os CIO e a participação portuguesa mostra que tal questão tem sido periférica. Propomo-nos, como linha de investigação inovadora, transferir da periferia para o centro esta questão. A importação e produção de saber, que sustentou o OP, estão por analisar. Visamos preencher a lacuna relativa à sua compreensão e história, pois como Gerson da Cunha observa Portugal teve um papel fulcral na genealogia dos estudos orientais. Analisar-se-ão nos textos apresentados por ORIPOR nos CIO influências culturais que marcaram o OP. Casuisticamente têm-se traçado perfis individuais, mas a repercussão das redes culturais e intelectuais que os ORIPOR estabeleceram está por determinar. Tal deve ser feito através da definição e comparação de perfis biobibliográficos, bem como da análise dos textos apresentados nos CIO. Importa clarificar a implicação institucional e como ela influiu na produção textual, moldando o quadro teórico/estético/ideológico do OP. Assim, os objetivos a atingir são compulsar e analisar os textos destes ORIPOR, precisando as redes culturais que integraram e onde se moveram, a influência destas nos seus percursos e como intervieram na sociedade a partir duma historicidade tripartida: 1. Até ao início da I Guerra Mundial (agonia do séc.XIX); 2 . Da I Guerra ao fim da II Guerra Mundial; 3. Pós-Guerra, independências, guerras coloniais. Com base nestas etapas, cartografar-se-á um ethos orientalista através da definição histórico-concetual de Império/História/Memória e reconstituir-se-ão álbuns orientalistas, definindo o conceito de Álbum e sua articulação com os de Memória, Representação e Exotismo. Tomando esses álbuns como exemplos de Tradução Cultural do Oriente, e esta como paradigma do contacto intercultural, identificar-se-ão teias imagéticas e léxico-semânticas, situando-as no contexto discursivo dos CIO, e descodificar-se-ão redes metafórica/metonímica/simbólica e binarismos retórico-estilísticos do discurso do OP. Este projeto contribuirá para a reconfiguração do conhecimento da intelligentsia orientalista de matriz europeia (1873-1973). As categorias operativas do Orientalism de SAID (1978) devem ser extensíveis a Portugal, por ter iniciado as conquistas imperiais europeias na Ásia, negligenciadas no estudo das representações do Oriente. Segue-se uma abordagem interdisciplinar, onde a vertente pós-estruturalista de DERRIDA e FOUCAULT marcará as análises textuais do corpus compulsado. Na senda dos aprofundamentos teóricos pós-coloniais de BHABHA e SPIVAK, trabalhar-se-ão as identidades culturais, comparando-as e delimitando zonas de contacto, entendidas como espaços de tradução cultural e discursos metaculturais. Nesse sentido, o grupo obedece a uma lógica interdisciplinar, patente na prática investigativa já desenvolvida. É epistemologicamente coerente e os perfis dos investigadores atravessam os Estudos Literários, Estudos Comparatistas, Estudos de Tradução, História, Antropologia, Filosofia. Os Estudos Literários – na vertente culturalista de que o Comparatismo praticado pelo CEC tem sido pioneiro – são o lugar certo para dinamizar este projeto. O trabalho científico sobre o OP (séc. XIX-XX) está a começar e este grupo é um dos seus principais agentes. São 4 as tarefas para alcançar os objetivos propostos: 1.recolha dos textos e imagens produzidos pelos ORIPOR nos CIO, em Portugal e noutros arquivos europeus; 2.reconfiguração do database sobre OP para acolher os resultados da investigação desenvolvida; 3.análise do corpus recolhido para identificar descritores concetuais, ideológicos, culturais, reconstituindo os perfis biobibliográficos dos ORIPOR e desenhando uma tipologia de modelos de escrita orientalista 4.mapeamento das redes culturais e intelectuais em que os participantes nos CIO, sobretudo os ORIPOR, se movimentaram, delineando-se teias interpessoais, influências nas várias sociedades europeias e extraeuropeias.

Equipa de investigação:

  • Marta Pacheco Pinto (Inv. Responsável)
  • Catarina Nunes de Almeida
  • Ana Paula Avelar
  • Ana Paula Martins Laborinho
  • Bruno Béu de Carvalho
  • Duarte Braga
  • Everton V. Machado


Projecto Relance da Alma Japoneza - Edição Genética e Crítica (Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas).

Consultores:

  • Ana Paula Laborinho (CEC-FLUL)
  • Ivo Castro (CLUL)
  • Ana Paula Avelar (CHAM – UNL)

Com a duração prevista de um ano, iniciou-se em junho de 2014 o projeto Relance da Alma Japoneza – Edição Genética e Crítica, cofinanciado pela Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas (P.º 134727).

 

Resumo do projeto:

Em 2014 comemoram-se 160 anos sobre o nascimento de Wenceslau de Moraes (1854-1929). Este projeto surge neste âmbito e na sequência de uma pesquisa em torno da obra do autor. Durante a pesquisa, foi-nos dado a conhecer o manuscrito autógrafo (23/Agosto/1925) de uma das últimas obras que escreveu, Relance da Alma Japoneza. As diferenças encontradas entre a primeira edição impressa e o manuscrito mostram que este é anterior à primeira, publicada em vida pelo autor. Pretende-se mostrar tais diferenças através de uma edição genética e crítica, que procura constituir-se como um importante instrumento de cariz literário, cultural e até sociológico, ao revelar o processo de escrita e criação do autor. 
 
 
Objetivo geral: 
 
O presente projeto de edição genética e crítica de Relance da Alma Japoneza (RAJ) visa cumprir dois macro-objetivos ligados à promoção do património literário em língua portuguesa. Em primeiro lugar, procura oferecer ao leitor de língua portuguesa uma edição de RAJ que colaciona dois testemunhos da obra: por um lado, faz-se a edição genética de um manuscrito autógrafo anterior (1925) à primeira edição impressa e publicada da obra (Sociedade Editora Portugal-Brasil, 1926), e por outro a edição crítica do texto. Serão adotados rigorosos critérios de transcrição e edição dos dois testemunhos de Wenceslau de Moraes. Em segundo lugar, este projeto visa promover a leitura da obra do autor, resgatando-a do esquecimento a que tem sido votada, e, por essa forma, aprofundar a compreensão estética, cultural e literária não apenas da sua obra mas do próprio autor, que aproximou o leitor de língua portuguesa do Japão finissecular. Através da sua obra, Moraes convidou o leitor português finissecular a abandonar o seu eurocentrismo e a contactar com estéticas extremo-orientais. É ao Japão que Moraes dedica grande parte da sua obra, sendo ele ainda hoje um dos principais divulgadores da cultura japonesa em Portugal. Com este projeto de edição genética e crítica, a ser assinalada com uma sessão de lançamento, pretende-se celebrar os 160 anos sobre o nascimento de Wenceslau de Moraes, uma identidade europeia em trânsito, que introduziu novidade oriental no sistema literário português e a traduziu culturalmente para esse sistema.
 
 
Publicação (resultado do projeto):  
 
  • Wenceslau de Moraes. 2015. Relance da Alma Japonesa. Introdução e edição de Ariadne Nunes e Marta Pacheco Pinto. Prefácio de Ana Paula Laborinho. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

 
Outros outputs:
 
  • Ariadne Nunes e Marta Pacheco Pinto. 16-06-2016. A edição genética e crítica de Relance da Alma Japoneza, de Wenceslau de Moraes: movimentos de escrita e variantes. Comunicação apresentada na conferência internacional CLUL – LingMe (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa).
 
  • Ana Paula Avelar. 2016. Recensão crítica a Relance da Alma Japonesa, de Wenceslau de Moraes. Revista Colóquio/Letras 193 (set.): 245-249. 

 






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