Organização Científica: Lourdes Câncio Martins Ano: 2005 Edição: Edições Cosmos
Ao exibir a sua intrínseca ficcionalidade (sendo a crise na crença de uma referencialidade absoluta um dos traços mais marcantes da produção do autor), os seus textos sublinham, de forma subversiva, o modo como qualquer discurso (tenha ele sido canonizado pela historiografia, pela igreja ou pela literatura) se investe da marca pessoal e subjectiva de uma verdade sempre questionável. A suprema ironia da obra, que assenta nos processos de desvirtuação de registos canónicos, acaba necessariamente por dessacralizar a sua própria ficção: um mundo possível entre tantos outros. Refira-se, no entanto, que a estratégia de reescrita não incide apenas em textos (con)sagrados, mas se apropria igualmente de uma tradição oral, para a questionar quando inverte provérbios ou recontextualiza adágios populares. Não é pois de estranhar que Saramago reaja contra a concepção de narrador, considerando sobretudo que lhe é impossível não atribuir a esse ser de papel a sua voz de autor, implicando-a na trama diegética para, desse modo assumir a regência do processo ficcional.
Reler Saramago. Paradigmas Ficcionais
Inclui:
- Introdução
- Reler José Saramago - Paradigmas Ficcionais
- Terra do Pecado
- Manual de Pintura e Caligrafia
- Levantado do Chão
- Memorial do Convento
- O Ano da Morte de Ricardo Reis
- A Jangada de Pedra
- História do Cerco de Lisboa
- O Evangelho Segundo Jesus Cristo
- Ensaio sobre a Cegueira
- Todos os Nomes
- A Caverna
- O Homem Duplicado
- Ensaio sobre a Lucidez
- Bibliografia
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