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Chico Buarque
ImageTextos e Pretextos Nº 7
Edição:
CEC
Ano: 2005
Preço: 5€

 

 


Sísifo encarnava na mitologia grega a astúcia e rebeldia do homem frente aos desígnios divinos. Filho de Éolo e fundador de Corinto, viu-se à mercê do castigo de Zeus que lhe impôs que fizesse rolar eternamente um enorme rochedo, ladeira acima. Mas mal o rochedo atingia o cimo, voltava a cair mercê do seu próprio peso e o trabalho tinha de recomeçar. A lenda mais conhecida sobre Sísifo conta que, num momento de ira, Zeus lhe enviou Thanatos, o gémio da Morte, para que o matasse. Mas Sísifo apanhou Thanatos de surpresa e acorrentou-o, de tal maneira que, durante algum tempo, nenhum homem morreu. Certas pessoas são persistentes nas suas convicções, atentas às pequenas ou grandes coisas da vida, resistentes nas causas difíceis, denunciadoras das angústias que apertam o peito e dasalegrias que se estampam nos rostos da gente, mensageiros do medo e das angústias, mas também das paixões e do amor. Só que a pedra vai rolando e tem de haver quem acredite que, mais uma vez, ela chegue ao topo da montanha. Chico Buarque de Hollanda, na delicadez com que lapida cada palavra, é talvez o melhor exemplo de Sísifo, uma metáfora do mundo contemporâneo onde se luta contra a indiferença, a culpa, a esterilidade que a diferença de classes provoca. Mas cada palavra de Chico Buarque é vida, numa sede constante de abertura e atenção ao mundo. Só que Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu”. E a pedra vai rolando. “A gente quer ter voz ativa / No nosso destino mandar”.

A escolha de Francisco Buarque de Hollanda como tema para este número da Textos e Pretextos teve sobretudo como objectivos falar não só do músico, hoje uma referência obrigatória em qualquer citação à música brasileira, mas também, e acima de tudo, falar do escritor. Em 1991, Estorvo confirmou esse percurso de escrita que teve início com as primeiras composições musicais, “Pedro Pedreiro” e “Sonho de um Carnaval”, na década de 60. Romances como Benjamin e Budapeste fixaram alguns dos temas que aqui se abordam, tais como: o amor, a viagem, o duplo, a musicalidade da escrita, as fronteiras que ora nos unem ora nos separam do mundo. Os ensaios, os testemunhos e as entrevistas que compõem este sétimo número, para além dos textos do próprio autor, contribuem para o reconhecimento do mérito da sua obra. Na Roda Viva da vida certas pessoas conseguem fixar o tempo, nem que por breves instantes, entre palavras cantadas ou o canto das palavras porque “A gente vai contra a corrente / Até não poder resistir”. E mesmo que a pedra vá rolando, Chico Buarque, compositor-intérprete-escritor, ajuda-nos a tornar a subida menos íngreme. “Roda mundo”.

Ricardo Paulouro

 

ÍNDICE

TEXTURAS

  • “Patriarcado e Desesperança em Gota d’Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes
  • “»Eu te amo«, de Tom Jobim e Chico Buarque: Uma Análise Semiótica”, Peter Dietrich
  • “Outra vez de novo: A paródia em Chapeuzinho Amarelo de Chico Buarque”, Denise Estrócio
  • “O Amor na Canção de Chico Buarque”, Adélia Bezerra de Meneses
  • “Animal Farm e Fazenda Modelo/George Orwell e Chico Buarque: Duas Faces da mesma Moeda”, João Luís Salgueiro Moreira
  • “Fragmentos Urbanos Imaginados”, Roberto Círio Nogueir
  • “Duplo Estorvo”, Helena Bonito Couto Pereira

CONTRA-SENHA [Testemunhos]

  • Anazildo Vasconcelos da Silva;
  • António Mega Ferreira;
  • Arnaldo Saraiva;
  • Carlos do Carmo;
  • Eucanaã Ferraz;
  • José Carlos de Vasconcelos;
  • Manuel Halpern;
  • Miguel Faria Jr.

DOSSIER [Manuscritos]

VARIAÇÕES [Entrevistas]

  • Chico Buarque (Carla Braga, Margarida Gil dos Reis e Ricardo Paulouro)
  • Caetano Veloso (Carla Braga, Margarida Gil dos Reis e Ricardo Paulouro)
  • Gilberto Gil (Margarida Gil dos Reis)
  • Mário Merlino (José Pedro Ferreira)

CRONOLOGIA (Margarida Gil dos Reis)

  • A alma lírica brasileira (Regina Zappa)
  • Anotações sobre Francisco (Eric Nepomuceno)

DISCOGRAFIA

  • (Carla Braga)

FILMOGRAFIA

  • (Carla Braga)

ATELIER [Antologia Poética e Imagens]






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