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Os Monstros
ImageTextos e Pretextos Nº 8
Edição: CEC
Ano: 2006
Preço: 5€

Há cinco anos atrás, o filme Monsters Inc., realizado por Peter Doctor, invadia as salas de cinema, lotadas por um público muito jovem, ou nem tanto. A campanha de marketing mobilizou os consumidores que compraram, em grande escala, pequenas réplicas do monstro azul e felpudo, protagonista do filme. Na história, este monstro detinha o record de sustos de Monstropolis, uma cidade cuja energia era obtida a partir dos gritos das crianças. Todo os outros monstros visitavam o mundo através de portas especiais que comunicavam com os armários dos quartos dos miúdos. 

A este exemplo somam-se tantas outras personagens cinematográficas que fazem parte do nosso imaginário: Frankenstein, X-Men, Hannibal Lecter, o simpático Shrek ou uma extensa lista de seres mutantes da Marvel. Em Homero, Rabelais, Mary Shelley, Kafka, entre tantos outros, na Literatura, na BD, nas Artes Plásticas, no Teatro e na Dança, os monstros vão-se acumulando e permitem-nos quase falar de uma ‘monstruosidade banalizada’. E se foram inúmeros os monstros imaginários na Antiguidade, ou os monstros de uma memória colectiva – quem poderá esquecer o Adamastor? – somos ainda invadidos por outros tipos de monstros bem diferentes, por exemplo, em freak shows: anões e gigantes, homens-mosca, homens-rã, homens-porc, verdadeiras aberrações que questionam a nossa identidade e se transformam, elas próprias, numa identidade indefinida.

Hoje somos confundidos pela velocidade do que nos rodeia e que nos dá a sensaçao de estarmos quase sempre atrasados. Questionamo-nos por isso sobre o que é ser e ter um corpo e de que forma podemos afirmar a nossa singularidade. E nesta permanente busca os monstros encantam-nos e perturbam-nos.

Por que nos fascinam então tanto os monstros? E o que determina a definição de um monstro como tal? Um rosto sem boca? Quatro olhos em vez de dois? Uma função orgânica anormal? Ou será o monstro também aquele que, invariavelmente, nos habita e que tentamos a todo o custo adormecer?

Encontram-se, neste volume, várias tentativas de interpretação ou, pelo menos, de problematização desta questão – analisam-se fenómenos de hibridismo, outros de configuração, desconfiguração e reconfiguração de identidades. Monstros, demónios ou fantasmas, todos eles nos habitam. Abordagens diversificadas, onde o monstro, mais do que a supressão ou adição de elementos num corpo, contrasta com o corpo harmonioso e dificulta a nossa tentativa de conferir sentido às coisas. Talvez porque para afirmarmos a normalidade da raça humana ainda precisamos de dar existência ao seu contrário. Como disse Goya, “O sonho da razão produz monstros”.

Margarida Gil dos Reis


ÍNDICE

ENSAIOS

  • “Bestial Child: monstrosity in a postcolonial view The Satanic Verses by Salman Rushdie”, Maria Sofia Pimentel Biscaia
  • “The Abject Body in Contemporary female Art”, Maria Luísa Coelho
  • “Um monstro da cidade moderna: A figura da prostituta em Toulouse-Lautrec”, Inês Cordeiro Dias
  • “Monstros Intelectuais: uma monstruosidade oculta”, Maria Antónia Lima
  • “Teatro anatómico”, Pedro Manuel
  • “Já não há ninguém no lugar marcado a X: Os mutantes X-men com um exemplo de uma metamorfose cultural”, Pedro Moura
  • “Processo de construção da figura monstruosa”, Síliva Quinteiro

CONTRA-SENHA/TESTEMUNHOS:

  • Bram Ieven; Jaime Freire; Olga Roriz; João David Pinto Correia; Manuel da Silva Ramos; Pedro Gomes Barbosa

CONTRA-SENHA/REPORTAGENS

  • Quem deixou a jaula aberta?, de Rui Pelejão Marques; Os cronistas do maravilhoso, de Eurico Gomes Dias; Monstros no Cinema, de Miguel Cardoso e Danilo Pavone

VARIAÇÕES/ENTREVISTAS

  • Eduardo Pitta; Manuel da Silva Ramos; Olga Roriz; Ieda Tucherman; Paulo Moura e José Rodrigues dos Santos; António Carneiro

SOBRE A MESA/LIVROS

ATELIER

TEXTUALIDADES/BIBLIOGRAFIAS







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